Bethy Lagardère

Ela foi musa nos anos 1970, conquistou o coração de um dos homens mais ricos da França e hoje não está nem aí para os padrões de beleza.

EDU LOPES/DEDOC

Bethy Lagardère ao lado do vestido-bandeira de Jean-Paul Gaultier.
Bethy Lagardère ao lado do vestido-bandeira de Jean-Paul Gaultier.

Bethy Lagardère é uma mulher de superlativos. Elegantérrima, engraçadíssima, riquíssima. Em passagem pelo Brasil, ela recebeu a reportagem da ELLE em São Paulo poucos dias antes de voltar para Paris, onde mora há mais de três décadas.

Dona de uma coleção imensa de vestidos de alta-costura e de um império colossal – incluindo a Airbus e a editora Lagardère-Active (que publica ELLE na França) -, herdado do marido, Jean-Luc Lagardère (falecido em 2003), Bethy saiu de Belo Horizonte aos 17 anos, quando ainda era Elizabeth Pimenta Lucas. Queria ganhar o mundo e passou a trabalhar como modelo nos anos 1970.

A primeira parada foi São Paulo, mas logo a cidade ficou pequena. Aos 21 anos, foi para Paris e, depois de bater na porta de muitas maisons, se tornou uma das modelos mais requisitadas da época: virou musa de Ungaro, Azzedine Alaïa, Guy Laroche…
Foi no mundo da moda que Bethy conheceu Jean-Luc e se transformou em madame Lagardère (ou madame Crocodilo, como a apelidaram os amigos íntimos).

Na França, se transformou em uma espécie de embaixadora informal do Brasil, amiga de intelectuais, políticos e, claro, estilistas, como Karl Lagerfeld, com quem aprendeu a usar óculos escuros, uma de suas marcas registradas (a outra é a mecha branca, em homenagem ao marido – quando ele morreu, Bethy ficou completamente grisalha).

EDU LOPES/DEDOC

Bethy Lagardère homenageada no lançamento do Mag! Passion no Shopping Iguatemi.
Bethy Lagardère homenageada no lançamento do Mag! Passion no Shopping Iguatemi.

De temperamento forte, como se define, ela só faz o que quer. Nas filmagens do documentário Bounjour Madame: Bethy Lagardère – A Embaixatriz Fashion do Brasil, idealizado por Paulo Borges, bambambã da moda brasileira, ela deu trabalho. “Foi divertidíssimo. A equipe aceitou todos os meus caprichos. Tinha dia que eu não queria me maquiar nem trocar de roupa”, conta.

Para ser elegante, Bethy prova que não é preciso se submeter a padrões – incluindo os de beleza. “Não gosto de fazer dieta. Quando vejo que a situação está crítica, corro para um spa, mas volto morrendo de fome, ataco tudo quanto é pastel de feira e engordo de novo.” A baixa gastronomia, aliás, é um de seus amores. Pastel, brigadeiro, churros, ela come o que dá vontade e pode pegar um avião para Madri só para saborear o “melhor churros do mundo”. Mas só mesmo Bethy poderia comer um brigadeiro a bordo de um legítimo haute-couture. A perfeita tradução do intercâmbio Brasil-França.

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