Samuel Cirnansck
Samuel Cirnansck conta uma pequena história para explicar seu desfile de inverno 2011. “É uma mulher urbana. Quebra o carro, ela fica perdida na floresta e é sucumbida pela mata”. A questão ambiental foi o que motivou a criação do enredo. “A ideia é refletir o que está acontecendo no planeta hoje. A floresta está reivindicando seu espaço”, conta. A apresentação começou justamente com um video de uma mulher explorando um local desconhecido. Logo, apareceram na passarela casacos de couro e lã em tons terrosos, calças de cintura alta, camisas românticas e até shorts. Os famosos vestidos de festa do estilista apareceram só no meio da apresentação, em uma combinação inusitada de azul e renda creme. Os galhos e cipós que apareceram em blusas, vestidos e bolsas – referência ao trabalho do escultor americano Patrick Dougherty – eram meramente figurativos. Na coleção que vai para as lojas eles aparecerão em forma de bordados e estampas. A única pele usada nas peças foi a de coelho em cor preta. “Como ele serve de alimento, fica dentro do conceito de sustentabilidade”, justifica o estilista. Os casacos marrom com aspecto de pelúcia e as peças brancas que imitam pele de carneiro foram feitas de tecido desfiado. Silicone, couro e látex também foram usados, além do vinil de aspecto croco da última série do desfile. Há algumas temporadas Samuel vem se distanciando de sua característica “moda noiva” para apostar em uma vertente mais comercial. É uma manobra arriscada, mas se depender do rigor com o qual trabalha seus modelos e materiais, tem tudo para dar certo. Assista aqui ao desfile de Samuel Cirnansck.
Por Elis Martini
Cenógrafo: Artur Freitas
Diretor de casting: Daniel Freire
Diretor de desfile: Daniel Freire
Produtor executivo: Artur Freitas
Iluminação: Stage
Stylist: Davi Pollack
Cabelo e maquiagem: Celso Kamura
DJ: Jackson Araújo
O maquiador e cabeleireiro Celso Kamura apostou no “olho tudo e boca nada”. Tons de cinza coloriram toda a pálpebra e também a linha abaixo dos cílios inferiores. “É uma ótima pedida para substituir a sombra preta clássica neste inverno”, disse. A boca apagada fez o contraponto: o batom nude, make oficial dos tapetes vermelhos, foi o escolhido. “Queríamos dar uma nuance melancólica”, contou Kamura.
Oficialmente, esse estilista paulista autodidata em moulage (técnica de modelar a roupa no corpo ou num manequim) costura, entrou no mundo da moda há apenas dez anos. Mas, cinco anos antes, ajudava a compor figurinos de óperas e peças de teatro. Época em que também começou a criar camisetas nada básicas.
A aplicação de detalhes elaborados e bordados nas peças já demonstrava vocação para a alta-costura. “Só isso não me satisfazia. Queria mais exuberância”, lembra. Das duas experiências (tornar o básico exuberante e dramatizar suas criações), nasceu um trabalho artesanal, feito sob medida. Em 1999, criou sua marca e descobriu o talento para vestidos. Logo passou a fazer coleções para o Amni Hot Spot, evento destinado aos novos criadores e porta de entrada para o SPFW, onde desfila desde 2005. Em seu ateliê, confecciona até hoje roupas sob medida para noivas, debutantes e madrinhas. Silhueta marcada, pregas, bordados e peças modeladas sempre estão presentes nas coleções do estilista.
Informações: http://www.samuelcirnansck.com.br/
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Mais que perfeitos! RT @modaspot: Samuel Cirnansck http://bit.ly/acOQgp
























































