Maria Bonita
José Alves de Oliveira, o seu Zé, trabalhou na construção dos prédios da Câmara dos Deputados e do Senado Federal de Brasília. Mas não chegou a conhecer o local por dentro depois que as formas de ferro foram cobertas por concreto. “A gente não pode entrar lá dentro. Deixam não. Só quando tava na obra mesmo. Até que não tenho vontade de ir lá não”, diz o relato do trabalhador que integra o release da coleção da Maria Bonita. Para o inverno 2011 da marca, a estilista Danielle Jensen olhou para os candangos de todo o Brasil que ajudaram no desenho da capital federal durante a década de 1950. E, como se numa forma de agradecimento e reconhecimento, deu uma interpretação mais humana ao trabalho desses homens que levantaram a cidade. Na passarela, o tema tomou conta das roupas e foi parar também na trilha sonora, na voz de Chico Buarque em Construção. Os vestidos, por exemplo, foram construídos a partir de uma base de seda pura que ganhou feltragem em alguns blocos. Outras peças, como os tops fechados sem mangas, contam com pedaços de azulejo de resina triangulares aplicados sobre a malha, uma referência ao trabalho de Athos Bulcão. Lindas, as pastilhas de cerâmicas com brilho foram salpicadas sobre a malha de lã que apareceu em forma de vestidos e até uma espécie de avental/pochete. As modelagens amplas e confortáveis deram um toque de simplicidade sofisticada à coleção. Entre os acessórios, destaques para a clutch de metal, inspirada nas marmitas, e para a bolsa de acrílico transparente, cujo desenho imita a forma adquirida por uma bolsa feita de tecido maleável ao ser carregada. Uma apresentação sensível e linda de se ver. Assista ao desfile da Maria Bonita.
Por Vitória Guimarães
Cenógrafo: Ono Zone
Diretor de Casting: Perdro Sales e Aurea Mazza
Diretor de Desfile: Daniela Thomas
Produtora Executiva: Aurea Mazza
Iluminação: Stage
Sytlist: Pedro Sales
Cabelo e maquiagem: Celso Kamura
DJ: Dudu Dub
Danielle Jensen foi buscar nos candangos que construíram Brasília a inspiração para o inverno 2011 da Maria Bonita. Seguindo o mesmo caminho, Celso Kamura criou uma beleza simples, mas graciosa. O maquiador encheu as modelos de sardas, talvez uma referência aos trabalhadores que, nos anos 1950, passavam dias e dias debaixo do sol construindo a capital federal.
Em 2010, a Maria Bonita, uma das marcas mais respeitadas do cenário de moda nacional, completou 35 anos. Criada em 1975, pelas sócias e amigas Malba Paiva e Maria Cândida Sarmento, a grife carioca ficou conhecida por sua elegância, criatividade e alto padrão de qualidade – características que norteiam o trabalho da etiqueta até hoje. Mesmo depois da morte de Cândida, em 2002, a marca não perdeu o fôlego. Atualmente são 13 lojas, entre próprias e franquias, e 50 clientes de multimarcas.
De olho num visual mais romântico, a grife começou fazendo peças tingidas e bordadas. Logo ampliaram o olhar e partiram para boas peças de alfaiataria, com ótimos blazers e outras peças com modelagens mais elaboradas.
As formas minimalistas importadas do Japão, por exemplo, já foram inspiração para Cândida, que sempre cuidou da parte criativa, enquanto Malba se dedicava à administração da empresa. Apesar de não terem nascido no Rio de Janeiro ou em São Paulo – elas são alagoanas – a moda que propuseram não tinha nenhum traço de regionalismo, até mesmo quando trabalham com temas relacionados ao Nordeste, como aconteceu na coleção de verão 2011.
Dois anos depois de sua criação, Malba e Cândida inauguraram a primeira loja da grife, em Ipanema. Em 1981, foi a vez de São Paulo ganhar um ponto da etiqueta carioca, comandada atualmente por Danielle Jensen, que ocupou o cargo de assistente de Cândida. “A Danielle tem muita coisa em comum com a Cândida. Ela escolhe bem os tecidos, entende o que é uma boa modelagem, um bom corte e um bom acabamento. A Dani é um pouco mais contemporânea e a Cândida era mais clássica”, comenta Alexandre Aquino, um dos sócios do grupo. Desde a temporada de inverno 2006, a Maria Bonita desfila no São Paulo Fashion Week. Antes, sua plataforma de lançamento era o Fashion Rio.
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amo muito essa grife. gosto muito de seda entao resumindo adorei tudoooooooooooooo.























































