A capixaba Giulia Borges abriu o último dia de Fashion Rio com um inverno 2012 tomado pelo glam rock. Paetê, glitter e renda – quase sempre usados ao mesmo tempo – deram o tom extravagante tão característico do estilo musical. Além desse mix, houve também algumas apostas mais femininas, mais sensuais. Macacões e vestidos apareceram com recortes estratégicos na cintura (para quem está com a balança em dia) e nas costas. A transparência teve força, mas não apareceu tão reveladora. Ela veio principalmente em camisões de seda usados sobre vestidos em tons fluo (truque de styling que dá para copiar já). As saias ganharam camadas – e consequentemente, volume. Conjuntinho de tweed – casaqueto e shortinho – também deram as caras. Nos pés, botinhas com plumas e salto de acrílico transparente.
JULIANA DE FARIA
A capixaba Giulia Borges queria ser publicitária, mas, influenciada pela amiga e estilista Luiza Bonadiman, acabou caindo na moda. Radicada no Rio de Janeiro desde os 17 anos, chegou a cursar três semestres de comunicação antes de mudar de curso. “Fiz moda mais pelo lado artístico. Não tinha a pretensão de ter o meu negócio.”
Depois de formada, mandou um projeto para Fernando Molinari e Robert Guimarães, organizadores da Babilônia Feira Hype, celeiro de novos talentos carioca, e foi aceita. Em seguida, armou showrooms no Grupo Galeria, em São Paulo, e na casa da estilista Alessa Migani, no Rio, onde começou a vender para lojas importantes. Em janeiro de 2008, aos 24 anos, fez sua estreia no Fashion Rio e inaugurou a primeira loja, que fechou as portas em menos de um ano. “Queria abraçar o mundo e aprendi muito com isso. Cada coisa no seu tempo, certo?”
Na última edição da semana de moda carioca, ela foi um dos destaques. A coleção, inspirada no surfe, nasceu depois de uma viagem às ilhas Maldivas. Apesar de o tema parecer comum, as peças eram pouco convencionais: Giulia usou cetim encorpado e neoprene e abusou dos recortes a laser. E, claro, não deixou de lado a feminilidade, sua marca registrada. “Venho trabalhando a imagem ultrafeminina com um pouco de perversidade”, conta. A receita parece ter conquistado as japonesas – atualmente, 60% da produção vai para lá. Mas Giulia também tem olhos para o mercado local: em dezembro de 2009 começou a criar roupas sob medida.
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